Saí
da sala de cinema, literalmente, sem ar e sem conseguir articular uma frase
decente. Tive que me dar uns minutos, acalmar-me e digerir o que tinha visto. É
raro acontecer-me, talvez uma vez por ano mas é o efeito que um filme perfeito
tem em mim.
Não há um filme do Iñarritu de
que eu não goste: comecei pelo “Amores Perros” há muitos anos, depois
o “Babel”, o “21 Grams”, o “Biutiful”, o
“Birdman” e agora, o “The Revenant”. A par do Pedro Almodovar
e do Martin Scorcese, já um dos meus realizadores preferidos.
Este filme é perfeito: a
fotografia, a história, as paisagens, as interpretações do Leo DiCaprio e do
Tom Hardy. O Hardy este ano perde a estatueta para o Stallone, mas não tenho
dúvidas que ainda será nomeado para Melhor Actor nos próximos anos porque é dos
actores mais brilhantes da actualidade.
Conheço várias pessoas que não
gostaram do filme. Alguns factores na minha opinião são: isto não é um filme para ir ao
cinema em grupo
. É um filme introspectivo, é uma experiência solitária a
que temos de nos entregar, deixar-nos ir…pelo menos é/foi assim comigo. É um filme para ver no cinema e não em casa, sacado e com pouca
qualidade. Este filme ainda não está disponível em HD para sacar mas as pessoas
com a mania da pressa, vêem-no mesmo assim, sem qualidade em écrans grandes ou
no pc. Resultado: acham o filme uma seca e não gostam muito. As pessoas que
conheço que o viram fora do cinema, todas tiveram esta opinião.
É-me difícil falar sobre a
interpretação do Leo DiCaprio porque é o meu actor preferido há muitos anos e
posso parecer tendenciosa. Por isso peço-vos, que a vejam com os vossos olhos e
comprovem que este ano, sem dúvida, o Oscar vai ser dele.
Tinha lido anteriormente e também
ouvi no discurso se aceitação do Leo nos Globos, que este filme, foi sem
dúvida, o mais difícil, o mais duro de fazer, da sua carreira. Em todo o filme
isso não me saiu da cabeça: há tanta neve, tanto frio…e como Iñarritu só quis
luz natural neste filme (confesso que quando começou, tive uma ligeira dor de
cabeça até me habituar à pouca luz do filme), tudo o que vemos não são efeitos:
é mesmo muito frio, vento e tempestades de neve.
Foi sem dúvida, dos melhores
filmes que vi nos últimos tempos, senão o melhor. Emocionei-me umas 3 vezes e
não foi pela história, foi pela magnífica obra de arte que é este filme. Andava
à espera dele há 1 ano e meio e não me defraudou em nada.
Sinopse: 1822. Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste
americano disposto a ganhar dinheiro a caçar. Atacado por um urso, fica
seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald
(Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda
adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de
vingança.
Curiosidades: DiCaprio teve de comer bisonte de fígado crú
(mesmo sendo vegetariano), teve de aprender a disparar uma espingarda, a saber
fazer fogo, aprender a falar duas línguas nativas (Pawnee, Arikara) e estudar
técnicas antigas de cura, com um médico especialista. Foi DiCaprio que
convenceu Tom Hardy a entrar neste projecto. DiCaprio era para entrar em
“Steve Jobs” e desistiu por causa deste filme. A primeira opção para
Fitzgerald foi Sean Penn mas que acabou por desistir por conflitos de
compromissos. A caracterização das feridas de DiCaprio demoravam 5h diárias.


14 thoughts on ““The Revenant” de Alejandro González Iñárritu (2015)

  1. Eu ainda não vi, está na minha listinha (fiz uma lista para assistir todos os indicados ao Oscar de 2016), mas me emocionou muito ele dedicar o Globo de ouro aos índios do mundo todo, num momento em que o povos indígenas no Brasil passam por profundas dificuldades e violações de seus direitos.

  2. Doraaaa, como eu te compreendo! Babel vi-o era bastante nova e tudo aquilo era muito violento para mim, na altura, embora já tenha ficado admirada com a capacidade de comunicação com o espectador.

    Fui ver o The Revenant na sexta-feira na semana de estreia (na semana passada portanto) e ainda hoje adormeço a pensar no filme. Adorei-o do princípio ao fim. E deve ter acontecido o mesmo contigo: o filme acabou, daquela forma que tu sabes, intensamente, em silêncio onde só se ouvia a respiração dele. O filme acabou, as luzes acenderam-se e a sala TODA ficou em silencio a olhar para os créditos. Aí tive a certeza que toda a sala estava na mesma situação que eu: a digerir aquele filme maravilhoso e brutal. Brutalmente maravilhoso, completo em todos os sentidos! A fotografia e a caracterização estavam top! Espero que ganhe os oscares merecidos.

    Depois deste filme, fiquei cheia de vontade de ver Birdman, que ainda não vi!

    1. Sara Cabido: Nota-se bem que gostaste, que fixe! O Birdman também não é para todos: tem takes muito, muito longos como se fosse uma peça de teatro. Eu gostei bastante.

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